Os bisfenóis são um grupo de substâncias químicas utilizadas em plásticos de policarbonato e resinas epóxi, inclusive em algumas aplicações em contato com alimentos. Durante muito tempo, o bisfenol A (BPA, CAS 80-05-7) foi o bisfenol mais utilizado, mas seu uso tem sido cada vez mais restrito devido às suas propriedades de disrupção endócrina. Com o aumento da conscientização sobre os riscos à saúde relacionados ao BPA, a indústria o substituiu por alternativas estruturalmente semelhantes. No entanto, avaliações de toxicidade demonstraram que esses análogos são, em sua maioria, tão perigosos quanto o BPA, enquanto os dados toxicocinéticos que descrevem sua absorção, distribuição, metabolismo e excreção (ADME) ainda são limitados.
Para suprir essa lacuna de conhecimento, Hélène Bigonne e coautores da ETH Zurique, Suíça, desenvolveram modelos cinéticos fisiologicamente baseados (PBK) para o BPA e seis análogos. Em um artigo publicado em 25 de setembro de 2025 na revista Environmental Science & Technology, eles relataram que os bisfenóis avaliados diferem significativamente em sua toxicocinética. Após exposição oral, as concentrações internas variaram em várias ordens de magnitude entre os compostos, órgãos e faixas etárias.
Como o BPA e seus análogos diferem acentuadamente em termos de toxicocinética e níveis de exposição interna, os cientistas recomendam uma avaliação de risco específica para cada substância química. Dado o grande número de substâncias químicas presentes em plásticos (mais de 16.000), essas avaliações abrangentes de exposição demandam muito tempo e recursos. Por esse motivo, os cientistas defendem a mudança de uma abordagem baseada no risco para uma abordagem baseada no perigo na identificação de substâncias químicas preocupantes, argumentando que ela é mais eficiente, simples e adequada à finalidade.
É importante esclarecer que o PET (polietileno tereftalato) — material amplamente utilizado em garrafas de água, recipientes para alimentos e embalagens — é quimicamente distinto do policarbonato e das resinas epóxi que contêm bisfenóis. O PET é polimerizado a partir de etilenoglicol e ácido tereftálico, não de bisfenóis, e, portanto, não contém BPA ou outros bisfenóis em sua estrutura polimérica.
Autoridades regulatórias, incluindo a Food and Drug Administration (FDA) dos EUA e a Autoridade Europeia para a Segurança dos Alimentos (EFSA), confirmaram que o PET é livre de BPA e seguro para aplicações em contato com alimentos. Embora traços de BPA tenham sido ocasionalmente detectados em alguns fluxos de PET reciclado pós-consumo — provavelmente devido à contaminação cruzada durante a reciclagem — não ocorre migração detectável de BPA das embalagens de PET para alimentos ou bebidas em condições normais de uso, e qualquer presença residual permanece ordens de magnitude abaixo dos limites de segurança regulamentares.
O PET continua sendo um material de embalagem seguro, livre de BPA e amplamente utilizado, em total conformidade com as regulamentações globais para contato com alimentos.
Referência
Estudo revela que os bisfenóis variam em sua exposição interna | Fórum de Embalagens de Alimentos